Sobre gaiolas e asas cortadas

05:34 Bhairavi 1 Comments



Sorria, não fale, não pense, não sinta. Não ouse criar, não ouse ser verdadeira, não ouse ousar, seja como eu sou, quadrado, deformado pela máquina de se esvaziar de personalidade. Somos todos iguais neste lugar. Somos todos iguais.
Todos demonstramos as mesmas revoltas inúteis e preocupações descabidas. Vivemos nossa vida nesta cadeia, mas não ouse falar sobre isto. Não é uma cadeia se você ama este lugar e, acredite-me, você tem que amar.
Não há desculpas, daqui você retira seu cheiro. Não há desculpas se, daqui, você mergulha nesta poça imunda e infinita de desespero. Aliás, quantas vezes teremos que repetir que você é anormal? Quantas vezes teremos que te humilhar, lembrando-te que teus sonhos são patéticos?
Pessoa tola... Não sabe nada desta vida nefasta. Sua doença é sua rebelião, sua insistência em ter o arco-íris no coração, este brilho irritante no olhar, esta vontade louca e insana de viver e sonhar.
Sim, você tem estes direitos. Mas o que está no livro a gente não escreve. Quem precisa das palavras? Apenas você. Contando que sejamos sustentados, seu mundo de nada vale, seu corpo é pó e sua arte é um ridículo espetáculo.

Você é tão bela, pequena andorinha. Deixe-me enjaula-la nesta gaiola. Viva aqui e cante teu lamento de liberdade e, quando tuas asas estiverem cortadas e tuas cordas vocais não mais suportarem o vazio de teu coração, estarás enfim livre para voar teu caminho de aquarela.

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Um comentário:

  1. Menina andorinha: não pare nunca de voar...de sentir..e principalmente de se expressar. :)

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