Sobre fazer as pazes com o passado.
Deixe-se ser
As nuvens pareciam algodão doce
no céu azul. O dia estava começando como açúcar, mesmo com o despertador tocando
às 5:30. Não estava com sono. Fui dormir cedinho na noite passada, feliz, com
minha camisola de bichinhos favorita. Era sexta, mas este não era o motivo
principal de minha empolgação.
Eu sonhei com você.
Não do jeito que eu gostaria,
exatamente, mas sonhei. Em algum lugar dentro de mim você existe e isto já me
faz sorrir. Eu estava no futuro e descobri que você namorava uma grande amiga
de meu passado. Achei engraçado, dormindo, pois dois pontos de quem eu era se
convergiram. Eu fiquei com raiva dela, senti-me traída.
Neste momento eu lembrei que quem
te deixou fui eu.
Então eu a abracei e desejei
felicidades sinceras. Disse até mesmo coisas que animam teu jeito quieto e
parado. Coisas que tiram “o bicho do mato da floresta de pedra” de sua toca.
Coisas que ajudam a controlar seu gênio impetuoso em momentos de agitação, que
te fazem sorrir. Mesmo hoje, distante, ainda quero ver você feliz.
Quando fiz isto, ela se despediu
e voltamos a ser amiga em segredo, em nossos corações.
Acordei em paz.
Fiquei feliz por lembrar de você.
Seja feliz você também.
a.G.

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