O Mofo
Na escuridão densa espreitada
Estão os fragmentos famintos,
Passado que se aglomera,
Reticências a cada gesto perdido.
Um leve suspiro, invisível
Como cada palavra dita,
Guarda o segredo.
Olhos vermelhos do mofo
Da alergia que nunca partiu,
A casa ainda tão suja,
Mesmo arrumada,
O sol que insiste em fermentar
Cada recorte
O Tempo
Atrás das portas.
Surgiram dentes na parede
E parado a contemplar a face,
Mais da areia se esvaiu
A ampulheta partiu
Acumula pó sobre a fonte de terra.
Vozes que se silenciam e o sorriso
Desfeito
Tenta se recompor com a máscara.
Uma pedra e o juramento:
Este mofo não será visto por mais ninguém.
Ali, na escuridão das janelas fechadas,
Sufocado pelo ar rarefeito,
Na horrível profundidade de sua altura,
O vômito de sangue
Escorreu por entre tábuas,
Cobrindo insetos mortos, pele e suor.
O silêncio permeou além dos cabelos,
Os músculos até paralisá-los,
A poeira espantada voltara.
A porta rangeu quando a luz entrou,
Fechou-se sem fazer barulho.


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