Sobre não conseguir esquecer
Doce engano,
Parecia-se com verdade,
Ao invés de matar
Fez-me viva
Despertou o que adormecia
Como equinócio da primavera
O deus oposto: vermelho com chifres
Sorriu ao convidar sua amante mais bela,
Beijando-a com ardor, pulsão.
Vieste sob a forma de homem alado,
Desejava seu corpo,
Amei o ar que saia de seus lábios,
Vi em ti um profundo abismo
Que em pouco hesitar me joguei.
Era escuro, feixes de luz ainda me cegavam
A dura dicotomia de seus segredos
Faz-me buscar corredores escusos ao seu coração.
Persegui sua alma para que você
Confessasse o que eu via em seu olhar
E assim te vi nos braços delas.
Saboto-te, mas nunca alcançarei
Os dias que fui trocada
Por desculpas, mentiras e desejos.
Você, que foi meu deus,
Tornou-se pó.
Na balança, eu o vi com ela
E ainda vejo
Mas não esqueço,
Pois não esqueço.


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