Não há flores na janela
Gostaria de dizer que esqueci aqueles dias.
Tocar-me e pensar que não lembro mais
Suas mãos em meu corpo retesado e solitário,
Fechar meus olhos e não o ver com lábios maliciosos,
Recém- mordidos por meus beijos,
Implorando-me silenciosamente para desabotoar a calça.
E para além desses momentos em minha cama,
De que não me lembro de seus versos mal desenhados,
Seu jeito de garoto pisciano, meio perdido aos desatentos.
Gostaria de dizer que esqueci como foi te conhecer,
Ter sentido pela primeira vez a plenitude da liberdade,
Sentir na pele a inconsequente compreensão do rancor,
Indiferença e frieza,
Para a clareza de quem sou através de tantas incertezas.
Talvez eu não queira esquecer.
Pois contigo também há a destruição dos dogmas,
A deterioração de minha saúde e vitalidade,
Meus vícios de versos livres, cigarros e cocaína.
Eu não quero esquecer o sabor de teu pênis,
O cheiro que seu corpo exalava quando gozávamos
E o sorriso frouxo que escapava de sua boca
Quando você me via excitado o bastante para recomeçar.
Talvez eu não queira esquecer
Pois em você eu me redescobri, morri e renasci,
Arranquei as flores de minha janela
E estrangulei toda a dor que um dia habitou em mim.
Talvez eu não queira esquecer.
Pois contigo também há a destruição dos dogmas,
A deterioração de minha saúde e vitalidade,
Meus vícios de versos livres, cigarros e cocaína.
Eu não quero esquecer o sabor de teu pênis,
O cheiro que seu corpo exalava quando gozávamos
E o sorriso frouxo que escapava de sua boca
Quando você me via excitado o bastante para recomeçar.
Talvez eu não queira esquecer
Pois em você eu me redescobri, morri e renasci,
Arranquei as flores de minha janela
E estrangulei toda a dor que um dia habitou em mim.


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