Vazio
A fina pele que se rompe
Mostra-se vazia ,
Permeável,
Como tela de pintor.
Não há sangue no chão
Nas ruas
O punhal não encontrou sangue
Nada pingou
No vazio perene
Que encontrou seu opróbrio
Num casulo rompido.
Através de suas fibras se via
Mundos e pessoas do outro lado,
Tão melódico e inalcançável
Para o silencioso universo,
Olhos abertos a dormitar
Intransigente para o tempo que corria.
O corte não abriu portais,
Não encontrou sons,
Não despertou o mudo sono
Ou secou as lágrimas.
Ela abriu o seio
E então se expôs:
Dentro daquele corpo habitava o vazio.


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