Reflexo

19:57 Bhairavi 0 Comments


Diante de um mudo espelho
Contemplo meu rosto vazio,
Límpido como céu de verão.
Olhos sussurram para o nada,
Lamentam em silêncio a dor.
Quem penso que sou?
Ou para onde acho que vou?
Não tenho lugar,
Não tenho um credo,
Tenho um vazio.
A pele se desgasta com as intemperes,
As roupas foram levadas com ventos
Que rangem portas velhas;
Nua, desgasto-me até me ver
Em carne viva,
Açoitada por memórias,
Por tudo que eu poderia ser e não sou.
Toco com unhas fétidas os cortes
Abro entre os músculos um caminho
Pois desejo meus ossos,
Encontrar minha base,
Uma estrutura,
Pois não tenho lugar.
E o espelho me encara sem voz,
Suavemente a exigir uma resposta
Para seu questionamento mordaz:
Quem penso que sou?
Para onde diabos eu vou?
Sua pergunta se torna minha,
Minha imagem ali, refletida,
Responde a mim e a si
Com a boca torta de dúvidas
Que sei somente o que não sou,
Que minha carne está exposta
E tenho medo que ela apodreça
Antes que eu me regenere.



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