O mundo se silenciou para escutar nossa alegria
Quanto tempo sonhamos com este lugar?
As horas, meses, talvez anos se perdem
Como folhas do outono que iniciam segredos.
EntrĂ¡vamos, tantas vezes, pela porta branca
Sempre encontrando uma paz inexplicĂ¡vel.
O mundo sempre se silenciou nesta sala,
Nestes quartos e cozinha.
NĂ£o hĂ¡ barulhos, nĂ£o hĂ¡ dor.
Essas paredes sĂ£o testemunhas de nossa jornada.
Aqui hĂ¡ um cheiro doce de baunilha e jasmim,
Podemos andar descalços, roupas leves,
Semblante de alegria.
Deitamos em profunda calmaria,
Enroscamos nossos corpos sem julgamentos,
Enfim o lar que criamos encontrou corpo neste lugar.
NĂ£o hĂ¡ mais um mundo que nos rejeita,
Pessoas a nos dizerem que devemos ter um fim.
NĂ£o hĂ¡ navalhas em lĂnguas, palavras vĂ£s:
HĂ¡ a sonoridade do amor, de orações, perfume de incensos.
Temos uma casa, a materializaĂ§Ă£o de nosso sim,
De nosso desejo de nos pertencermos a vida toda,
A certeza de que Ă©ramos para ser desde o inĂcio,
Talvez antes dele.
Somos eu e vocĂª de braços abertos um para o outro,
De mĂ£os dadas com a liberdade que nosso amor traz,
De olhos fechados docemente, a receber o carinho,
O zelo e tenro cuidado que cultivamos, agora, sem temores.
NĂ£o hĂ¡ medo dentro deste lar, nĂ£o hĂ¡ julgamentos.
Hoje temos a paz que tanto lutamos
Como solo fértil para um futuro belo, calmo e gentil.
Quantas vezes sonhamos com este lugar?
InĂºmeras, bem sabemos.
Poderia ser aqui, lĂ¡, nĂ£o importa.
Nosso sonho sempre foi o sorriso, a alegria,
Um gato na janela, um bolo para o café...
Eu e vocĂª.


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